Visita 2009

terça-feira, 31 de março de 2009

quadros

Escolha o seu corte de cabelo.

Está pensando em mudar o visual e não sabe como?
O site Make Over Studio te ajuda. Tem um monte de cortes e cores diferentes. Para ver como você fica com esses diferentes cortes, faça o seguinte:
Acesse o site e faça o upload de uma foto sua (de preferência olhando para frente, de cabelo preso e com o fundo liso).
Em seguida, escolha qual é o principal problema do seu cabelo (sem graça, com frizz, seco, muito liso etc.)
No próximo passo, o site oferece dezenas de cortes e cores para você brincar à vontade e decidir o que fazer no cabelereiro.
Penteado e cor escolhidos, você pode escolher acessórios e um fundo para a sua imagem. Se gostar do resultado, também pode postar no blog. Eu adorei!

GERADOR DE LETRAS DE GRAFITE

http://www.graffiticreator.net/index.htm
(SÓ NÃO CONSEGUI SALVAR)

Você com o cabelo das famosas

Mulherada (e rapazes afins de experimentar um novo look!) preparem-se para perder vááários minutos - talvez horas - experimentando como você ficaria com o cabelo das celebridades mais famosas do mundo. Das ferramentas desse estilo, essa é a minha favorita. Não sosseguei enquanto não experimentei to-dos os penteados. Abaixo, você vê alguns deles. Para brincar, você precisa fazer um rápido cadastro (apenas e-mail e senha). Em seguida, faça o upload de uma foto sua - fotos de cabelo preso são ideais. Depois disso, basta seguir o passo-a-passo e ver qual cabelo fica melhor em você: se é o da Beyoncé, da Scarlett Johansson, da Jennifer Lopez, Jessica Alba, Kate Hudson, Sandra Bullock ou muitas e muitas outras.
Link: Hollywood Hair Virtual Makeover

Editor de fotos online

http://www.picnik.com/

foto sua na revista


segunda-feira, 30 de março de 2009

Livro Wood Allen Cuca Fundida

UM LÁPIS NA MÃO E
UM ESPINHO NO DEDO
Ruy Castro
Houve um grande escritor americano, chamado Nathanael West, que tinha
um espinho no dedo. Geralmente não doía. Só quando ele escrevia - porque era o
dedo que ele usava para escrever. Se vocês leram O Dia do Gafanhoto, devem ter
percebido, O que tem isso a ver com Woody Allen? Para dizer a verdade, nada, mas
eu não resisti à tentação de citar Nathanael West. Pensando bem, os dois têm uma
coisa em comum: ambos se especializaram em vender neuroses. A diferença e que
West custou a encontrar quem comprasse. (Morreu em 1939, depois de publicar
quatro livros que ninguém leu, e teve de esperar até que o cinema o redescobrisse,
em 1973, para gozar de uma merecida, porém efêmera glória póstuma.) E Woody
Allen, vocês sabem.
Woody levou apenas alguns anos para fazer sucesso da noite para o dia.
Mas também não foi fácil. Como quase todo o mundo, ele começou de baixo e
custou a decolar. Afinal, não deve ter sido brincadeira nascer no Brooklyn, em
1935. e de uma família pobre. Uma das poucas vantagens da pobreza é a de que
você não precisa escovar os dentes quatro vezes por dia. Quando as coisas
melhoraram um pouco, seu pai tentou obrigá-lo a estudar violino, mas Woody foi
salvo pelos vizinhos, que se revoltaram com tanto sadismo. Anos depois, já
estudante, foi rejeitado na equipe de xadrez da escola, por causa de sua altura.
Como se não bastasse, foi expulso de duas faculdades - na primeira vez, sob a
acusação de ter sonhos eróticos durante a aula de epistemologia; na segunda,
durante um exame de metafísica, porque o professor o flagrou olhando para a alma
do aluno sentado ao seu lado.
A partir de 1952, começou a escrever piadas para cômicos de cabaré e
televisão. As piadas eram tão melhores que os cômicos que, apenas 12 anos depois,
em 1964, Woody teve permissão para subir ao palco e dizê-las ele mesmo. No dia
de sua estréia, teve um ataque agudo de stage fright durante o espetáculo e perdeu a
fala, mas ninguém notou - todos riram assim mesmo. Essas coisas consagram um
ator, mas o dono do cabaré não achou assim: demitiu Woody e substituiu-o por
outro sujeito, que hoje está vendendo barbatanas para colarinhos na esquina da Rua
82 com a Rua 83, em Nova Iorque. (Está bem, eu sei que essas ruas não fazem
esquina, mas é por ali.)
Woody não se apertou. Tanto que até se casou com a moça que seu pai lhe
havia escolhido. Naturalmente não deu certo. "Minha mulher era rigorosamente
infantil", confessou Woody. "Um dia eu estava tomando banho na banheira e ela
afundou todos os meus barquinhos sem o menor motivo."
Em 1965, ele teve a idéia para aquele filme O QUÜ é Que Há, Gatinha?
(What's New, Pussycat?). Escreveu o roteiro, us diálogos e o seu papel que,
naturalmente, devia ser o principal. No entanto, os produtores roubaram-lhe o
papel e em regaram-no a Peter Sellers. muito mais bilheteria na época. Woody teve
de contentar-se com um papel secundário, com o qual roubou o resto do filme.
Hoje, Peter Sellers é obrigado a aceitar os papéis que Woody Allen recusa.
O resto da história vocês conhecem. Woody começou a escrever, dirigir e
interpretar os seus filmes e a não deixar que mais ninguém desse palpite neles.
Esses filmes, por enquanto, são Um Assaltante Bem Trapalhão (Take the Money and
Run, 1969), Bananas (1970), Tudo Que Você Queria Saber Sobre Sexo (Everything
You Always Wanted To Know About Sex, 1972), O Dorminhoco (Sleeper, 1974), A
Última Noite de Boris Grushenko (Love and Death, 1975) e Noivo Neuródco, Noiva
Nervosa (Annie Hall, 1976). E, é claro, escreveu também Sonho de um Sedutor
(Play it Again. Sam. 1973), que deixou para Herbert Ross dirigir, e apareceu num
papel sério em Testa-de-Ferro por Acaso (The Front, 1976), dirigido por Martin Ritt.
Mas, depois dos Oscares de melhor filme, melhor direção e melhor roteiro que
ganhou com Noivo Neurótico, nem Hollywood permitirá que Woody Allen
trabalhe sob as ordens de outra pessoa,
Toda terça-feira ã noite, ele pode ser ouvido tocando clarinete com sua
banda de dixieland num clubinho mínimo de Nova Iorque, chamado Michael’s Pub.
Eu disse ouvido, e não visto, porque Woody se esconde por trás da tuba. As
pessoas sabem que aquele é o Woody Allen, porque há um cartaz na porta dizendo
isso. O mais engraçado é que ele toca bem, embora dixieland seja aquele tipo de
música que só tem graça para quem está tocando. Não importa, as pessoas lotam o
Michael's Pub, porque esperam que, a qualquer momento, Woody tire o clarinete da
boca e diga alguma coisa engraçada. Mas ele nunca diz. E é aí que as pessoas acham
mais engraçado ainda, porque pensam que ele está se fingindo de sério. Mas, na
minha opinião, o único que está vendo uma graça louca naquilo tudo é o próprio
Woody. E, voltando ao clarinete, ele realmente toca bem, mas sua única coisa em
comum com Benny Goodman são os óculos.
No meio de tudo isso, Woody ainda acha tempo para colaborar com certa
freqüência para a revista New Yorker. Se vocês conhecem o New Yorker, sabem que
é uma das revistas mais chiques do mundo. Nos últimos 50 anos, o sonho de todos
os grandes escritores americanos foi o de escrever para ela. Alguns de seus
colaboradores fixos foram Edmund Wilson, Dorothy Parker, Robert Benchley, S. J.
Perelman, Shirley Jackson, Christopher lsherwood, Invin Shaw, Thomas Wolfe,
John Updike, Seus cartunistas eram James Thurber, Peter Arno, Charles Addams e
- devo acrescentar, ou será covardia demais? - Saul Steinberg, Truman Capote
começou lá - como boy. J. D. Salinger também começou lá, apanhando o centeio
que Harold Ross, o editor, deixava cair no chão. Pois bem: é nessa revista que
Woody Allen publicou os contos que fazem parte deste livro.
Não pensem que escrever seja uma atividade secundária para Woody. Seu
primeiro sonho na vida não foi o de ser o novo Chaplin ou Keaton, mas o de ser o
novo Benchley ou Perelman. Se continuar insistindo, vai conseguir. Acham que é
fácil? Perguntem a Millór Fernandes, Luís Fernando Veríssimo e Ivan Lessa, que
são os melhores humoristas brasileiros deste momento. Eles têm segredos que não
seriam capazes de revelar nem se espetados a parede por um crítico estruturalista.
No caso de Woody deve ter sido ainda mais difícil, porque Benchley já morreu e
Perelman é muito cioso de seus truques. Portanto, Woody foi obrigado a aprender
tudo sozinho. Mas não se preocupem, ele está indo muito bem.
De "Viva Vargas", por exemplo, saiu a história para Bananas. Várias
situações deste ou daquele conto recorrem neste ou naquele filme. Ele nunca joga
nada fora, no que faz muito bem, nesses tempos meio ruços. O forte de Woody são
as paródias, como vocês vão descobrir. E não torçam o nariz, porque Don Quixote
também era uma espécie de paródia. Bem, vejamos agora. Woody Allen será um
escritor profundo ou profundamente engraçado? Tanto faz. Há quem ria de Mark
Twain e chore lendo John Steinbeck, por mais que isso pareça ridículo. Na minha
opinião, devia ser o contrário.
Ah, sim, aquela história do Nathanael West. Acho que Woody Allen
também tem um espinho no dedo, provavelmente debaixo da unha e já bem
inflamado, e deve doer muito. Mas não em mim. E foi por isso que eu mesmo ri
muito enquanto traduzia estes contos,
O Cara
Eu estava tranqüilamente em meu escritório, limpando os restos de pólvora
do meu 38, e imaginando qual seria o meu próximo caso. Gosto muito dessa
profissão de detetive particular e, embora ela me obrigue de vez em quando a ter as
gengivas massageadas com um macaco de automóvel, o aroma das abobrinhas até
que faz a coisa valer a pena. Sem falar nas mulheres, nas quais não costumo pensar
muito, exceto quando estou respirando. Assim, quando a porta do meu escritório
se abriu e uma loura de cabelos compridos, chamada Heather Butkiss, entrou
rebolando e dizendo que posava para determinadas revistas e que precisava de
minha ajuda, minhas glândulas salivares passaram uma terceira e aceleraram. Estava
de minissaia e usava uma camiseta justa, tinha mais curva do que uma tabela
estatística e seria capaz de provocar uma parada cardíaca até num caribu.
"O que quer que eu faca, meu bem?" - perguntei logo, para não criar
maiores intimidades.
"Quero que encontre uma pessoa."
"Uma pessoa desaparecida? Já tentou a polícia?"
"Não exatamente, Sr. Lupowitz."
"Pode me chamar de Kaiser, meu bem. OK, quem e o cara?"
"Deus."
"Deus?"
"Isso mesmo. Deus. O Criador, o Princípio de Todas as Coisas, o
Onisciente, Onipresente e Onipotente. Quero que O encontre para mim."
Olhem, já tive alguns malucos no escritório antes, mas, com uma forma
física daquelas, você é obrigado a ouvir.
"Por que quer que eu te encontre Deus?"
"Isso é da minha conta, Kaiser. Só quero que O encontre."
"Olhe, meu bem, acho que você procurou o detetive errado."
"Porquê?"
"A menus que você me dê os dados."
"Está bem, eu dou", ela respondeu, mordiscando ligeiramente o lábio
inferior e levantando a saia para ajustar as meias, lá no alto das coxas, só porque viu
que eu estava olhando. Naturalmente, fiz de conta que não vi.
"Vamos jogar limpo, meu bem" - eu disse, implacável.
"Bem, a verdade é - eu não poso para revista nenhuma."
"Não?"
"Não. Nem meu nome é Heather Butkiss. Chamo-me Claire Rosensweig e
sou estudante de filosofia. História do Pensamento Ocidental, você sabe. Tenho
que entregar minha tese até janeiro. Sobre a religião ocidental. Todos os meus
colegas estão preparando teses especulativas. Mas, na minha, quero ter certeza. O
Professor Grebanier disse que se alguém provar alguma coisa, ganhará nota
máxima. E papai disse que me daria um Mercedes se eu conseguisse."
Abri um maço de Lucky Strike e um pacotinho de chicletes e enfiei um de
cada na boca. A história dela estava começando a me interessar. Intelectualóide
mimada. Corpo nota 10: e um QI que eu gostaria de conhecer melhor.
"Pode me dar uma descrição de Deus?"
"Nunca O vi."
"Então como sabe que Ele existe?"
"Isso compete a você descobrir."
"Oh, que ótimo! Quer dizer que você não sabe como e a cara Dele e nem
por onde devo começar?"
"Para dizer a verdade, não, Embora eu suspeite que Ele esteja em toda
parte. No ar, nas flores, em você, em mim - talvez até nesta cadeira."
"Estou entendendo," Ela era panteísta. Tomei nota mentalmente daquilo e
prometi que iria dar uma espiada por aí - por 100 dólares ao dia, mais as despesas e
um convite para jantar. Ela sorriu e disse tudo bem. Descemos juntos pelo
elevador. Estava ficando escuro lá fora. Podia ser que Deus existisse, mas o certo é
que havia naquela cidade um bando de caras que iriam tentar me impedir de
encontrá-lo.
Minha primeira pista era o Rabino Itzhak Wiseman, que há tempos me
devia um favor por eu ter descoberto quem estava esfregando carne de porco em
seu chapéu. Desconfiei de que havia algum perigo iminente, porque ele estava
apavorado quando o procurei.
"É claro que este de quem você está falando existe, mas não posso nem
dizer seu nome, senão Ele me fulmina com um raio. Não consigo entender por que
alguns são tão sensíveis quanto a um simples nome."
"Já O viu alguma vez?"
"Se eu O vi? Você deve estar maluco. Posso me dar por feliz quando
consigo ver meus netos."
"Então como sabe que Ele existe?"
"Que pergunta mais cretina! Como eu poderia usar um terno caro como
esse se Ele não existisse? Olhe aqui, sinta o tecido. Caríssimo! Como posso duvidar
de sua existência?"
"Mas só isso?"
"E você acha pouco? E o Velho Testamento, o que acha que é? Um
suplemento esportivo? E como acha que Moisés conduziu os hebreus para fora do
Egito? Sapateando e gritando oba? E pode me acreditar: é preciso mais do que um
alisador de cabelo para domar as ondas encapeladas do Mar Vermelho e reparti-las
ao meio. É preciso poder!"
"Quer dizer que o Homem é durão, hem?" "Duríssimo. Mais do que você
pensa." "E como sabe disso tudo?"
"Porque nós somos os eleitos. Cuida de nós como de Seus filhos e, aliás,
este é um assunto que algum dia ainda vou discutir com Ele."
"O que você paga a Ele para ser um dos eleitos?"
"Não posso responder."
E foi isso aí. Os judeus estavam todos no esquema. Sabem, aquela velha
jogada de pagar proteção. Toma lá, dá cá. E, pelo que o Rabino falava, Ele tomava
mais do que dava. Peguei um táxi e fui ao Danny, um salão de bilhares na 10.a
Avenida. O gerente era um sujeitinho raquítico e ligeiramente morrinha.
"Chicago Phil está por aqui?" - perguntei.
"Quem está querendo saber?"
Agarrei-o pelas lapelas, no que devo ter também agarrado alguma pele.
"O que você perguntou, seu merda?"
"Está lá nos fundos", ele respondeu, mudando subitamente de atitude.
Chicago Phil. Falsificador, assaltante de bancos, meliante tristemente
célebre e ateu confesso.
"O Cara não existe, Kaiser. O resto e conversa fiada. Cascata pura. Essa
história de Chefão e farol. Na realidade, é uma quadrilha inteira que age em Seu
nome. A maior parte sicilianos. Internacional, sacou? Mas sem essa de dizer que um
deles é O Cara. Só se for o Papa,"
"Gostaria de talar com o Papa", arrisquei.
"Posso ver isso pra você", respondeu, me dando uma piscadela.
"O nome Claire Rosensweig significa alguma coisa pra você?"
"Não."
"Butkiss? Hei, claro! É aquela oxigenada que estuda metafísica."
"Metafísica? Ela disse filosofia!"
"Estava mentindo. É professora de metafísica. Andou transando por uns
tempos com um professor de filosofia."
"Panteísta?"
"Não. Empiricista, se bem me lembro. Um reacionário. Rejeitou
completamente Hegel ou qualquer outra metodologia dialética."
"Um daqueles, não c?"
"Isso mesmo. Antigamente, tocava bateria num trio de jazz. Depois se
viciou em Positivismo Lógico. Quando isso também mixou, tentou Pragmatismo.
A última notícia que ouvi dele foi a de que tinha roubado uma fortuna para fazer
um curso de Schopenhauer na Universidade de Colúmbia. A quadrilha anda atrás
dele para pegar suas apostilas e vendê-las por bom preço."
"Obrigado, Phil."
"Vá por mim, Kaiser. O Cara não existe. Branco total. Eu não passaria
metade dos cheques sem fundo ou engrupiria os outros, como faço, se tivesse a
menor sensação da autenticidade do Ser, O universo é estritamente
fenomenológico. Nada é eterno. Tudo é sem sentido."
"Quem ganhou o 5° páreo?"
"Santa Baby."
Tomei uma cerveja numa birosca chamada O'Rourke's e tentei juntar as
pontas, mas nada ligava com nada. Sócrates tinha se suicidado - pelo menos, era o
que corria pelas bocas. Cristo fora assassinado. Nietzsche pirara de vez. Se o Cara
realmente existisse, não queria que ninguém tivesse certeza. E por que Claire
Rosensweig teria mentido? Será que Descartes estava certo? O universo era mesmo
dualístico? Ou a razão estaria com Kant, que condicionou a existência de Deus a
certos padrões morais?
Aquela noite fui jantar com Claire. Dez minutos depois de pagar a conta, já
estávamos na horizontal e vocês podem pensar o que quiserem, desde que se trate
de Pensamento Ocidental. Ela teria ganho medalhas de ouro em várias provas
olímpicas, inclusive salto com vara e 100 metros de peito. Em seguida, deitou-se no
travesseiro ao meu lado, ocupando também o meu travesseiro com sua cabeleira.
Acendi um cigarro e, enquanto olhava para o teto, perguntei:
"Claire, e se Kierkegaard estivesse certo?"
"Sobre o quê?"
"Sobre o conhecimento, o verdadeiro conhecimento. E se dependesse da
nossa fé?"
"Isso é absurdo."
"Não seja tão racional."
"Não estou sendo racional, Kaiser." Ela também acendeu um cigarro. "Não
me venha com esse papo ontológico. Pelo menos agora. Não estou com saco."
Ela estava perturbada. Quando me inclinei para beijá-la, o telefone tocou.
Ela atendeu.
"É pra você."
A voz do outro lado era a do Sargento Reed, da Homicídios.
"Continua procurando Deus?"
"Continuo."
"O tal Onipresente, Onisciente e Onipotente? Criador de Todas as Coisas e
tal e coisa?"
"Ele mesmo."
"Alguém com essa descrição pintou no necrotério. Venha dar uma olhada."
Fui correndo. Quando cheguei lá, não tive dúvidas: era Ele. E, pelo Seu
aspecto, tinha sido um trabalho profissional. Bati um rápido papo com o tira de
plantão.
"Já estava morto quando O trouxeram", ele disse.
"Onde O encontraram?"
"Num armazém do subúrbio."
"Alguma pista?"
"Trabalho de um existencialista. Isso é óbvio."
"Como sabem?"
"Sem método, aleatório, como se não seguisse nenhum sistema. Puro
impulso."
"Um impulso irresistível?"
"É isso aí. Logo, você é um dos suspeitos, Kaiser."
"Eu??? Porquê?"
"Todo mundo sabe como você se sentiu sobre Ele."
"Está certo, mas isso não quer dizer que eu O tenha matado."
"Por enquanto não, mas é um dos suspeitos."
Lá fora, na rua, respirei fundo e tentei clarear a cabeça. Tomei um táxi para
Newark e, lá chegando, caminhei mais um quarteirão e entrei num restaurante
italiano chamado Giordino's. Claro, numa mesa dos fundos, lá estava Sua Santidade.
Era o Papa, sem dúvida. Sentado entre dois caras que eu já tinha visto numa lista de
Mais Procurados.
Ele mal levantou os olhos de seu fettucine. Apenas disse:
"Sente-se." Estendeu-me o anel. Abri meu melhor sorriso, mas não o beijei.
Ele ficou desapontado e eu achei ótimo. 1 a 0 para mim.
"E Heather Butkiss?"

sábado, 28 de março de 2009

A imagem engana


Afastar da tela. O rosto que está nervoso vai ficar sereno, e vice e versa.

terça-feira, 24 de março de 2009


restauradas/2009
pintura à óleo

domingo, 22 de março de 2009

quarta-feira, 18 de março de 2009