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sábado, 7 de abril de 2012

Especial | Laranja Mecânica (Stanley Kubrick)


Droogs, o post de hoje é HORRORSHOW! Obviamente, você (cinéfilo) percebeu que falarei de um clássico do cinema, o filme britânico Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1971).
Adaptado do livro, de mesmo nome, do escritor inglês Anthony Burgess e dirigido magistralmente por Stanley Kubrick, o longa mostra uma Londres do futuro, mais precisamente do ano de 2050, totalmente dominada pela igreja e o Estado. É nesta cidade que vive o violento e sarcástico Alex DeLarge (Malcolm McDowell). Líder de uma gangue de delinqüentes que mata, estupra e rouba, Alex cai nas mãos da polícia. Preso, ele é usado em experimento destinado a refrear os impulsos destrutivos, porém acaba tornando-se impotente ao lidar com a violência que o cerca.
Antes de mais nada é preciso exaltar o trabalho de Kubrick com a câmera. Conhecido pelo uso de “travelling” tanto verticais quanto horizontais e seus planos de seqüências rápidas e ousadas, ele consegue prender a atenção do público do começo ao fim. Especificamente neste filme, Kubrick escolheu o melhor ator para o protagonista. A atuação de McDowell (The Artist, 2011) é tão crível que até hoje ele não conseguiu outro papel principal, pois é difícil não fazer uma relação entre ele e Alex. É curioso ver como o cineasta tem total controle dos seus atores, tanto que para desafiar Malcolm ele deu uma cobra de estimação para seu personagem. No entanto, detalhe: o ator tem fobia a este réptil.
O próprio título em inglês “A Clockwork Orange” é um jogo de palavras, pois o significado de clockwork é mecânico/programável e “orang” que na língua malaia tem o sentido de pessoa. É nisto que o Estado tenta transformar Alex, em um indivíduo mecânico. No filme, Alex, após ser preso, é obrigado a assistir cenas de ultra violência (atos que ele mesmo praticava) com o uso de drogas e ao som da 9ª Sinfonia de Beethoven, a qual ironicamente era sua música predileta. É neste momento que o Estado pune e acredita que após o tratamento o indivíduo está preparado para a sociedade. Mas a sociedade está pronta para ele?
Kubrick escancarou a realidade da época e atual, ao mostrar que o mundo é regido por dois tipos de violência: a do ser – humano, reprimida pelo convívio social e a do Estado, amparada pela lei e justificada pela manutenção do controle coletivo. A hipocrisia é que os indivíduos não conseguem aceitar o ex-prisioneiro do Estado e o recebe com a mesma violência que ele antes havia praticado. Graças ao diretor, podemos perceber o poder que a mídia tem sobre a sociedade, ao tirar o livre-arbítrio da população.
Ao final do filme, Alex em um emprego do governo, diz-se curado, não porque não pratica mais os atos horrendos, mas porque voltou a ser o antigo Alex, com sua ideologia e liberdade de praticar qualquer maldade, contanto que não prejudique a imagem do Estado. Esta é a hipocrisia atual, em que os políticos roubam do povo, no entanto, enquanto isto não for noticiado, não haverá punição.
Enfim, é um filme magnífico e cheio de originalidade (até o vocabulário, que é uma mistura de russo, inglês e gírias, foi criado pelo autor do livro). Desde a música eletrônica composta por Walter Carlos até “Singin in the rain” e a decoração meio anos 70 com móveis surrealistas, Kubrick é perfeito, não perde um detalhe.
Laranja Mecânica recebeu 4 indicações ao Oscar por Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição. Foi proibido de circular pelo Brasil, sendo liberado em 1978, com as inesquecíveis bolinhas pretas sobre as genitálias dos atores. Kubrick criou um filme cult e inovador que, até hoje, é um marco na história do cinema.
Marina Demartini

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