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quarta-feira, 16 de maio de 2012

A Imigração Italiana no Brasil



O Movimento de migração em massa na Itália começou por volta de 1860, quando os italianos se mudavam para outros países europeus. Uma década depois, eles começaram a migrar para a América, principalmente para os Estados Unidos, Argentina e Brasil. A crise vivida pela Itália e a idéia de que o Novo Mundo poderia oferecer uma vida melhor, motivaram muitos cidadãos a migrarem. Do início do século XIX até a década de 30, dez milhões de italianos deixaram o país.

O Inicio das Imigrações:

No Brasil, por volta de 1870, havia denúncias sobre a chegada de imigrantes ilegais de várias nacionalidades, inclusive italianos. A princípio, as críticas eram com relação aos custos gerados por eles. Logo, porém, a falta de iniciativa do governo para ordenar a questão passou a ser o ponto mais debatido. Já surgiam correntes que defendiam a regulamentação da imigração.

Em 1875 o governo brasileiro oficializou a vinda de imigrantes. Homens e mulheres de mais de 60 países desembarcavam em busca de uma vida melhor. Muitos se estabeleciam na então Província de São Paulo, mas a maioria dos italianos se dirigia para o sul do País.


O primeiro italiano a ser registrado no antigo serviço de imigração da rua Visconde de Parnaíba foi Caetano Pozzi, que desembarcou no porto de Santos em 17 de janeiro de 1882 junto com seus parentes e outras 5 famílias vindas da Itália. Pozzi chegou ao Brasil com 30 anos e foi para o interior de São Paulo. Ele morreu em 1929 deixando 76 netos.

Mas só em 1888 a imigração italiana para o Brasil foi oficializada. Brasil e Itália firmaram convênio para a vinda de imigrantes daquele país. O fazendeiro e deputado Martinho Prado Júnior e o Visconde de Parnaíba foram importantes para que as duas nações firmassem acordo.

Depois de 1888, quando a escravidão foi abolida, a imigração italiana se converteu em uma grande fonte de mão-de-obra no Brasil. Os italianos começaram a expandir-se por Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. A maioria absoluta teve como destino inicial o campo e o trabalho agrícola. Muitos imigrantes italianos, após trabalhar anos colhendo café, conseguiram juntar dinheiro suficiente para comprar suas próprias terras e tornaram-se fazendeiros, outros partiram para os grandes centros urbanos (como São Paulo), pois as condições de trabalho no campo eram péssimas.



No Brasil, o interesse em receber mão-de-obra era grande. As lavouras de café se expandiam e os movimentos abolicionistas culminaram, justamente em 1888, com a abolição da escravatura. Na época, muito se discutia sobre como substituir o trabalho escravo.Ficou acertado que, os italianos que viessem para o Brasil, poderiam se dedicar à sua especialidade. O governo italiano incentivava a migração, inclusive subsidiando a viagem. Os desempregados tinham prioridade para embarcar.


O Brasil, em contrapartida, prometia aos imigrantes um lote de terra e bons salários. Não demorou para que os recém-chegados se decepcionassem. A viagem de até 30 dias da Itália para o porto de Santos era muito ruim. Os imigrantes vinham na terceira classe, nos porões dos navios. Havia superlotação, a comida era ruim e não havia assistência médica. Muitos morriam ainda na viagem.

A Decadência da Imigração Italiana:

Italianos residentes no mundo na Década de 40
As contínuas notícias de trabalho semi-escravo e condições indignas nas fazendas de café no Brasil fizeram com que os italianos preferissem destinos como a Argentina e os Estados Unidos. A imigração italiana no Brasil continuou até a década de 20, quando o ditador Bento Mussolini, com seu governo nacionalista, começou a controlar a imigração italiana. Com a Segunda Guerra Mundial, a declaração de guerra do Brasil a Itália e a contínua recuperação da economia italiana, a chegada de italianos ao Brasil entrou em decadência.

Contribuições a Cultura Brasileira:

Dentre as inúmeras contribuições italianas à cultura brasileira podemos citar novas técnicas agrícolas, o uso do “tchau” (ciao) em todo o Brasil, pratos que foram incorporados (pizzas, spagueti e o hábito de comer panetone no natal), novas palavras (paura, polenta, etc.), o enraizamento do catolicismo, incorporando elementos italianos na religião brasileira, e etc.




O processo imigratório foi de extrema importância para a formação da cultura brasileira. Esta, foi, ao longo dos anos, incorporando características dos quatro cantos do mundo. Basta pararmos para pensar nas influências trazidas pelos imigrantes, que teremos um leque enorme de resultados: o idioma português, a culinária italiana, as técnicas agrícolas alemãs, as batidas musicais africanas e muito mais. Graças a todos eles, temos um país de múltiplas cores e sabores.

Fonte do Texto: InfoEscola
Edição Total: História Espetacular

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